domingo, 30 de junho de 2013

A coruja dos olhos vermelhos



   Antigamente falava-se que se você ouvisse o cantar de uma coruja a meia noite você  morreria no prazo de uma semana, bem, nunca fui muito supersticiosa, achava as corujas encantadoras e misteriosas, gostava muito dos animais, das aves e tudo mais … Eu não era uma pessoas ruim, sempre fui do tipo que fazia tudo certinho, eu não gostava disso mais era inevitável, sempre quis agradar as pessoas, nunca consegui dizer um não a um favor me pedido, era muito tímida, não era do tipo que tinha muitos amigos, tinha dificuldades em manter amizades, creio que existe muita gente como eu, mais uma coisa que me acalmava, era ir a uma praça próximo a minha casa com meus cachorros, adorava vê-los correndo, brincando e se divertindo, lembrava um pouco a minha infância …  Tive uma infância normal, feliz, amorosa, mais durante a minha adolescência não sei oque houve, comecei a me privar, a me diminuir, a me guardar de mais … Muitos achavam que tinha algo de errado acontecendo, mais na verdade o problema estava em mim, na minha cabeça, eu tinha medo, medo de que as pessoas me traíssem, medo de as pessoas me machucassem, não fisicamente, tinha medo de tudo.
  Certa vez estava andando pela tal praça com meus cachorros, estava ficando tarde era uma sete horas da noite, minha mãe não ia voltar para casa hoje, do outro lado da praça estava havendo uma festa de aniversário, então decidi ficar na praça até altas horas da madrugada, sabia que se alguém tentasse me sequestrar ninguém ia me ouvir pois estava um som insuportável vindo daquela festa, mais me transmitia segurança, psicologicamente. Então me deitei no chão em quanto os cachorros brincavam, fechei meus olhos, turbilhões de pensamentos vieram a minha cabeça e eu não podia controla-los, mal pude perceber o tempo passar, quando finalmente resolvi olhar as horas, vi que era 23:58 p.m, e ouvi os latidos dos cachorros, estavam agitados, estranhei, olhei em volta não vi ninguém, porém, os cachorros estavam me parecendo desesperados, olhei em volta novamente e não vi ninguém, quando me deitei, e me deparei com uma coruja pairando pelas árvores, tinha olhos vermelhos, fiquei observando-a, hipnotizada, a coruja piou 3 vezes e foi embora, olhei o relógio e eram 0:00 a.m , por um instante pensei na tal lenda .. Mais acabei percebendo que era bobagem da minha cabeça, me levantei, chamei os cachorros e fui pra casa .
  Chegando em casa, ouvi um ruído no meu armário, os cachorros começaram a latir desesperadamente para o mesmo, fui até o armário e só vi uma escuridão infinita, fechei o armário e fui tomar um banho, saindo fui vestir-me para dormir, deitei-me na cama, fechei os olhos, rapidamente a imagem da coruja me veio a mente, pensei nos olhos dela, o quanto pareciam mágicos e malignos, rapidamente dormi.
  No dia seguinte, havia uma mancha no meu pescoço, uma mancha preta, não liguei muito para ela, me vesti e fui para a escola, passou-se as 5 aulas fui para casa, minha mãe havia feito um banquete muito farto ! Estava muito feliz porque ela conseguiu um emprego novo que lhe pagaria o dobro do que recebia antes, estava tão feliz que mal percebeu aquela mancha no meu pescoço, comi e fui para o quarto, sentei em frente ao espelho, olhei por 1 minuto aquela mancha e vi que formava um simbolo muito peculiar, uma estrela de cabeça pra baixo envolto por um circulo, não liguei muito de novo, não estava formando perfeitamente o tal simbolo, então pensei que era uma mera coincidência do destino, deitei-me na cama, coloquei os fones e segui por uma longa viajem dentre os meus pensamentos, quando comecei a sentir uma presença em meu quarto, uma sensação de que havia mais alguém ali comigo, tentei abrir meu olhos não consegui, senti um sufoco infinito, não conseguia me mexer, aquela altura já estava quase tendo um ataque cardíaco, não conseguia me mexer, não conseguia respirar, não conseguia gritar, não conseguia nem se quer abrir os olhos, depois de agoniantes 2 minutos consegui abrir os olhos, libertei-me daquele peso, quando abri os olhos, estava tudo meio embaçado, esfreguei os olhos e eles voltaram ao normal, pensei naquilo por alguns minutos e imaginei que fosse um pesadelo, me levantei e fui beber um copo d’água, na volta fui ao banheiro e molhei meu rosto com água, olhei para o relógio e vi que eram 4:30 p.m, procurei me ocupar e esquecer aquilo e fui ler um pouco.
   Passaram-se 6 dias desde que ví aquela coruja, a imagem dela ainda pairava pela minha mente de vez em quando, são 10:30 p.m, estou um pouco transtornada, aquela mancha agora formava o tal simbolo perfeitamente, estou nervosa aflita e com medo, será que aquela lenda é realmente verdadeira ? Existe alguma possibilidade de reverter oque aquela maldita coruja jogou em mim ? Me deito em minha cama, com o braço para fora da cama, olho no relógio e já são 0:0 a.m, sinto um formigamento no meu braço, de repente, sinto um ardor insuportável no corpo todo, sinto que alguém agarrou meu braço com uma força incomum, puxei meu braço mais não consegui me libertar, de repente perco a fala, agarro a mão que segura a minha, sinto uma mão áspera e calosa, escorre lágrimas dos meus olhos, estou desesperada, sinto um puxão no meu braço, caio no cão, tudo voltou ao normal, não sinto mais o formigamento, não sinto nada, começo a achar que foi um mero pesadelo, quando começo a respirar aliviada, sinto algo agarrando meu pé, e começa a me puxar violentamente para dentro do armário, dou um ultimo suspiro, enquanto sou engolida por uma escuridão, fecho os olhos, escorre um lágrima do meu rosto, adeus.


Por : Brenda Wanessa S. C. - Alguma critica ou sugestão ? Me envie um email ! wanessa.carvalho46@gmail.com

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